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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Extraindo vida da Palavra de Deus

Este é um trechino do livro "Uma Mulher segundo o coração de Deus - Elizabeth George".




Se Deus vai ocupar o primeiro lugar em nosso coração e se Ele vai ser a suprema prioridade de nossa vida, precisamos desenvolver um sistema de raízes profundamente apoiado nele. Como uma planta com suas raízes escondidas no subsolo, você e eu - diante dos outros e a sós com Deus - recebemos dele tudo aquilo de que precisamos para viver a vida abundante que Ele prometeu aos seus filhos (João 10.10). Precisamos viver nossa vida perto de Deus - realmente enraizadas nele! Ao buscarmos uma profunda vida em Cristo, devemos considerar alguns fatos sobre raízes.

AS RAÍZES NÃO SÃO VISTAS - Como em uma figueirinha-hera ou na maioria das plantas, nossas raízes espirituais são subterrâneas, invisíveis aos outros. Estou falando de sua vida íntima, sua vida oculta, a vida secreta que você desfruta com Deus, longe dos olhos dos outros. Um iceberg ilustra a importância do que está oculto.
Quando Jim e eu estávamos ensinando no Alasca, um pescador saiu com o meu marido em seu barco. Jeff não apenas mostrou a Jim o espetáculo das águias, das focas e das baleias, mas também levou, cuidadosamente, seu barco a circundar um iceberg. Ele explicou a Jim que apenas um sétimo do iceberg é visível sobre a superfície do mar e que qualquer pescador bem- informado sabe que não se pode chegar muito perto de um iceberg porque, submersos na água, estendem-se os outros seis sétimos de gelo. O que estava visível aos olhos - apenas uma fração da enorme massa de gelo - era o bastante para gerar medo, temor, pavor e respeito em qualquer marinheiro!
Esse é o nosso desejo - meu e seu - para nossa vida. Queremos que a parte visível de nossa vida - aquilo que outras pessoas podem ver - as leve ao mesmo tipo de temor e maravilha que temos dentro de nós. Queremos que a força vista por outras pessoas em nós seja o resultado de nosso relacionamento íntimo com Deus. Se com fé nutrirmos o que está sob a superfície da nossa vida, as pessoas se maravilharão com o que virem de Deus em nós!
É fácil, porém, você e eu deixarmos de lado o nosso ideal de vida cristã. É fácil pensar que o que tem valor em nossa vida cristã é o tempo utilizado diante de pessoas, pessoas, e mais pessoas! Parece que estamos sempre com pessoas - os companheiros de trabalho, os colegas de escola, os do internato, os companheiros dos estudos bíblicos, as pessoas com as quais moramos, as que conosco participam do discipulado ou dos grupos de amigos.
A verdade é que "quanto mais do seu tempo diário - de sua vida - você passar a sós, silenciosamente com Deus, em reflexão, em oração, [em estudo], em programação e em preparação, maior será a eficiência, o impacto, o poder da parte de sua vida vista pelos outros". Como ouvi um líder cristão dizer, você não pode estar o tempo todo com pessoas e exercer um ministério voltado para elas. O impacto causado pelo seu ministério está na proporção direta do tempo que você passa longe das pessoas e junto de Deus.
Nossa eficácia para com o Senhor requer uma decisão sábia com relação ao uso do nosso tempo. Tenho em minha Bíblia uma citação que ajudam a tomar decisões que dilatam o tempo empregado por mim no desenvolvimento de minha vida "subterrânea": "Nós devemos dizer 'não', não só a coisas erradas e pecaminosas, mas ainda a coisas agradáveis, lucrativas e boas, que prejudicariam e atrapalhariam o cumprimento de nossos grandes deveres e principais tarefas. ( O que são essas"coisas" agradáveis, lucrativas e boas, para você? )
Nossa eficácia para com Deus também requer solidão. Em seu pequeno livro A maior coisa do mundo (Juerp, RJ), Henry Drummond fez esta observação: " O talento se desenvolve na solidão - o talento da oração, da fé, da meditação, de ver o invisível; o caráter cresce na corrente da vida cotidiana". Conforme nossas raízes se aprofundam no Senhor, Deus nos afasta dos apelos deste mundo.


RAÍZES SÃO PARA APROFUNDAR - O que acontece quando você e eu reservamos um tempo para estar com Deus, em estudo e oração? Recebemos dele. Aprofundamos nossa relação com Ele. Somos nutridas, alimentadas. Asseguramos nossa saúde espiritual e crescimento. Quando passamos tempo com Cristo, Ele nos dá força e nos incentiva na busca dos seus próprios caminhos.
Chamo este tempo com Deus de "a grande troca". Longe do mundo e fora da vista dos outros, troco meu cansaço por sua força, minha fraqueza por seu poder, minha escuridão por sua luz, meus problemas por suas soluções, meus fardos por sua liberdade, minhas frustrações por sua paz, minha agitação por sua calma, minhas esperanças por suas promessas, minhas aflições por seu bálsamo e conforto, minhas perguntas por suas respostas, meu embaraço por sua sabedoria, minha dúvida por sua garantia, meu nada por seu grandioso tudo, o temporal pelo eterno e o impossível pelo possível!
Vi a realidade desta grande troca em um retiro anual para mulheres de nossa igreja. Minha companheira de quarto e querida amiga era responsável por esse evento que contava umas 500 mulheres. Karen enfrentou tranquilamente cada desafio e pôs seu senso administrativo para atuar em cada crise. Notei que, quando o início de cada reunião se aproximava, e o pânico crescia entre as líderes dos grupos que esperavam que as coisas corressem suavemente, Karen desaparecia. E quando algumas retirantes chegavam ofegantes, suando e cansadas ao nosso quarto, perguntando "Onde está Karen? Nós temos um problema!", ela estava onde ninguém podia encontrá-la.
Em uma dessas ocasiões misteriosas, vi, de relance, Karen descendo pelo corredor do hotel com sua pasta do retiro e a Bíblia na mão. Ela havia se preparado com antecedência para a sessão que se aproximava. Tinha revisado cuidadosamente os planos, o horário e os anúncios por uma última vez. Mas sentia necessidade de ler algumas porções preciosas da poderosa Palavra e, então, colocar nosso evento completamente nas mãos de Cristo, em oração.
Mais tarde - depois que Karen reapareceu - não pude deixar de notar o grande contraste entre ela e as outras líderes. Enquanto a ansiedade das outras crescia, Karen exibia a paz perfeita de Deus. Enquanto elas se irritavam, se preocupavam e desanimavam diante da pressão, a força de Karen - a força de Deus em Karen - brilhava como uma luz sobrenatural. "Debaixo da terra" e longe da multidão, ela havia trocado suas necessidades pela provisão de Deus.


RAÍZES SÃO PARA ARMAZENAMENTO - As raízes servem como um reservatório daquilo que nós precisamos. Jeremias 17.7-8 nos fala que a pessoa que confia no Senhor "é como a árvore plantada junto às águas, que estende suas raízes para o ribeiro..." (versículo 8). Esta alma confiante, cujas raízes estão sugando a água da vida, exibirá algumas qualidades.
Em primeiro lugar, ela não terá medo do calor ardente, mesmo que os dias se transformem em um longo ano de seca. Ao contrário, suportará o calor com folhas verdes (versículo 8). O reservatório que ela tem na Palavra de Deus a sustentará no calor ardente, independente de quanto tempo ele dure.
Ela também dará seu fruto fielmente. Não deixará de frutificar, mesmo em tempos de seca (versículo 8). Por armazenar alimento do próprio Deus, ela será como uma árvore de vida - produzindo na estação própria e fora dela (Salmo 1.3).
Enquanto você e eu extraímos regularmente o alimento necessário da Palavra de Deus, Ele cria em nós um reservatório de esperança e força nele. Então, quando os tempos forem ásperos, nós não estaremos vazias. Não secaremos, não nos despedaçaremos, não morreremos. Não nos faltará nutrimento, não ruiremos, esvaziaremos ou desistiremos. Em vez disso, simplesmente saberemos buscar nosso reservatório secreto de alimento e dali tirar o que Deus nos tem dado, o que precisamos naquele momento. Estaremos preparadas para ir de "força em força"(Salmos 84.7).
Foi exatamente isso o que aconteceu comigo durante a doença da minha sogra. A hospitalização dela foi uma crise que desafiou minha resistência. Meu marido - seu único filho - estava em uma viagem internacional e literalmente fora do nosso alcance. Por causa das constantes exigências deste período difícil, eu não tive oportunidade de manter meus momentos silenciosos. Enquanto estava ao lado da cama de Lois, enquanto cuidava dela, não tive outra opção senão buscar meu reservatório.
E o que achei armazenado ali? Como evidência da graça maravilhosa de Deus, achei força em muitas passagens da Bíblia que tinha memorizado durante os anos. Recebi energia espiritual dos salmos lidos, estudados e recitados nas horas matinais ( e silenciosas) a sós com meu Deus. Enquanto tocava seu poder pela oração, experimentei em meu coração "a paz de Deus, que excede todo o entendimento" (Filipenses 4.7). E fui fortalecida pelo exemplo do meu Salvador e de um grande número de homens e mulheres da Bíblia, que também acharam o de que precisavam da Palavra de Deus. Raízes profundas nas verdades de Deus são definitivamente necessárias como reservas para os tempos tempestuosos!


RAÍZES SÃO PARA APOIO - Sem um sistema de raízes bem desenvolvido, nossa "copa" se torna insuportável - uma pesada folhagem sem nenhum apoio. Sem o trabalho de uma rede de raízes fortes, cedo ou tarde teremos de nos apoiar em uma estaca, amarrados, sustentados, endireitados - até que o próximo vento bata e caiamos novamente! Mas com raízes firmes e saudáveis, nenhum vento poderá nos derrubar!
Sim, o apoio de um saudável sistema de raízes é vital para que permaneçamos firmes em Deus! Lembro-me do processo usado antigamente para o cultivo das árvores que se tornariam nos mastros principais dos navios mercantes e militares. Os grandes construtores de navios selecionavam as árvores localizadas no topo de altas colinas para provavelmente virem a ser o mastro de um navio. Então, eles cortavam todas as árvores que as circundavam e que protegeriam da força do vento as árvores que haviam sido escolhidas. Com o passar dos anos, e com os fortes açoites dos ventos contra aquelas árvores, elas cresciam e tornavam-se mais fortes ainda até que, finalmente, estavam suficientemente firmes para serem o mastro principal de um navio. Quando temos um sistema de raízes sólido, também podemos ganhar a força necessária para permanecer firmes, apesar das pressões da vida!




Extraído do livro Uma mulher segundo o coração de Deus de Elizabeth George.
Págs. 26-31.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Medo de filhos estragados

Este é um trecho do livro " De Volta ao Lar - Mary Pride".


Todas as promessas de Deus acerca dos filhos só são para os pais que são "justos" - isto é, não são para qualquer pessoa salva, mas só para os que fazem o que é certo nessa área específica, por mais rebeldes que sejam os filhos. Nem toda pessoa salva é um pai justo ou uma mãe justa. Um pai ou uma mãe pode ter Jesus como Salvador e Senhor, mas ao mesmo tempo ser desobediente por não criar os filhos do jeito que Deus quer. A Bíblia nos avisa que os pais cristãos são perfeitamente capazes de desobedecer às instruções de Deus para a criação dos filhos. É por isso que Deus insiste em dizer ao seu povo, que lê e conhece a Bíblia, que "a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe" e "quem se nega a castigar seu filho não o ama" (Provérbios 29.15; 13.24).
Deus diz: "Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles" (Provérbios 22.6). Se você ainda teme que os seus filhos não se tornarão adultos cristãos apesar de seus melhores esforços, você já foi infectada pela opinião comum de "que ninguém é responsável pela conduta dos filhos"...
Todas nós conhecemos famílias cujos filhos não se saíram bem. Preferimos aceitar o ditado popular de que "nenhum pai ou mãe deve ser responsabilizado pelo comportamento dos filhos", pois tememos magoar os sentimentos de alguém sugerindo que talvez os pais tenham falhado. Afinal, até mesmo na Bíblia não encontramos famílias cujos filhos rejeitaram a Deus? Esaú, filho de Isaque. Amnom e Absalão, filhos de Davi. Jeroão filho de Josafá... Se nossos filhos pertencem a Deus, como é que pôde acontecer isso com os filhos de Isaque, Davi e Josafá?
Para responder a isso, vamos primeiramente examinar os exemplos de filhos que não eram salvos na Bíblia. Por um minuto, pare para pensar como Isaque, Davi e Josafá desempenharam seu papel de pai. Isaque demonstrou favoritismo por Esaú e, por causa de uma boa refeição, tentou anular a profecia de Deus para Jacó. Davi cometeu adultério e assassinato, que
não são bons exemplos, e não quis disciplinar seus filhos pela conduta criminosa deles. Josafá era tão negligente que casou seu filho com a filha da pervertida Jezabel! Você acha que conseguiria bater esses recordes?
Isaque, Davi e Josafá praticavam a justiça em outras áreas de suas vidas, mas não a praticavam em suas responsabilidades como pais. No entanto, podemos aprender com os erros deles. Deus colocou os exemplos deles na Bíblia não a fim de nos desanimar, mas para que
nos conduzamos melhor (1 Coríntios 10.6, 11).
Quanto aos casais cristãos que você talvez conheça cujos filhos não se tornaram um bom exemplo, permita-me perguntar-lhe isto: Se os pais não são os culpados, então
quem é? A sociedade? Deus? Deus nos diz que filhos são bênção e então nos dá filhos para servirem de combustível para o inferno? Será que Ele realmente não tem vontade de nos dar os meios necessários para cumprir sua própria promessa de que uma criança treinada no caminho em que deve ir não se desviará dele?
Se é verdade mesmo que a mãe ou o pai cristão pode fazer tudo certo e tudo sair errado, então não há esperança alguma para os filhos rebeldes. Mas se os pais estiverem errando de algum modo, eles podem se arrepender e implorar o perdão de Deus.
Não é totalmente ruim descobrir que você é parte do problema. Só quer dizer que você pode também ser parte da
solução! Há espaço para esperança!



Trecho extraído do livro De Volta ao Lar-Do feminismo à realidade de Mary Pride
tradução,adaptação e atualização: Julio Severo
Pág. 100-101